lunes, 11 de febrero de 2019

Masculinidades: Arquétipos e Estereótipos (Portugués)

 Para ver la versión en castellano haz click aquí

Esta es la versión en portugués de la conferencia. La traducción fue realizada amablemente por el psiquiatra y terapeuta junguiano de Florianópolis (Brasil) Fabio C C E Villar. A él muchas gracias.


"Masculinidades: Arquétipos e Estereótipos.

Por Lisímaco Henao H.
Psicologo U. de A. (Medellìn)
Mg. Psicología Analítica (Barcelona)
Analista Junguiano (SCAJ-IAAP)

O paciente se senta frente a mim e começa a me falar de sua dor: durante três meses tem estado sonhando que seu pai lhe pergunta por que não regressou por ali. No sonho não há precisão sobre o lugar ao que o pai se refere, mas é sempre a mesma queixa: “por que não regressou?”. O sonhador intui que seu pai se refere à terra onde nasceram ele e seus irmãos, essa terra que seu pai trabalhou com tanto afinco quase até a sua morte. Me conta que aquela terra foi dividida entre os irmãos após a morte de seu pai e ele, como quase todos, vendeu o que lhe correspondia devido a não ter tempo nem vocação para manter-la.

Acudiu à terapia levado por este sonho recorrente, porque desperta com tristeza e pensa que seu pai, desde o além, está fazendo uma queixa à qual ele já não pode responder. Começamos a falar de sua relação com seu pai, a quem ele recorda como uma espécie de herói, um ser que lutou contra tudo para sobreviver junto com uma numerosa família. Logo, remontando à sua infância, revive recordações nas quais o pai trata de “torna-lo homem”, incitando-lhe à força física e ao distanciamento afetivo. Esta aprendizagem se tornou dolorosa, pois é castigado o choro e em troca estimulado o auto-maltrato, o levar a si mesmo até o limite, o ser frio frente à tristeza ou converter-se em um ocultador da mesma.

É evidente que meu paciente cumpriu com a expectativa do pai. Se converteu em um militar de carreira exitoso e disciplinado, que começou nos níveis mais baixos e foi subindo por seus próprios méritos, motivos pelos quais exige exatamente o mesmo caráter de seus subalternos. No entanto, algo vem incomodando há muito tempo: um ciúmes excessivo que tem por sua namorada que é acompanhado de fantasias terríveis nas quais ela seduz outros homens no trabalho e na universidade. Em sua fantasia essa mulher não é capaz de manter-se firme frente à sedução de outros homens. Ele a deprecia pois da fantasia passa à realidade, na qual a considera efetivamente uma mulher fraca e sem perspectivas de sucesso.

Em outro momento, discorre sobre suas tarefas profissionais, fala de como sua disciplina se transforma as vezes em rigidez, das dores nas costas e das acusações que asa vezes lhe fazem no trabalho, onde o tratam como a um tirano.

Imagen relacionadaEsta breve lembrança me serve como metáfora para passar a vocês algumas imagens de masculinidade e as emoções que podem acompanhar-las. O termo “arquétipo”, cunhado na psicologia por C. G. Jung (2003) aparece hoje tanto na linguagem popular como na especializada, tanto que alguém poderia afirmar que meu paciente se converteu no arquétipo do Herói: forte, disciplinado, frio e lutador, características que tem sido coroadas com o sucesso profissional. E é certo que esta é a imagem heróica que temos atualmente: “o homem que faz a si mesmo”. Continuamente somos bombardeados com ofertas de seminários e cursos que oferecem as chaves para o sucesso. Se publicam livros com as leis, os segredos e os modelos para alcançar esse sucesso que consiste, basicamente e me desculpo pelo resumo do conceito, em estar no mais alto da pirâmide, ou, pelo menos, mais alto que outros (isso inclui, obviamente, os complexos econômicos tao importantes no ocidente).

Esse modelo, vamos aclarar de uma vez, se oferece a homens e mulheres e seduz a homens e a mulheres por igual, pois estamos falando realmente de algo arquetípico. Um arquétipo é um órgão psíquico universal que permite a qualquer ser humano perceber o mundo, ou seja, é igual para todas as pessoas em todas as épocas e localizações geográficas. O que esse órgão faz é ordenar nossas percepções com base em imagens. Para explicar melhor, tomemos como exemplo o arquétipo do qual me ocupo hoje: O Herói. O mundo que percebemos se nos apresenta, em princípio, caótico, como para qualquer criança, de tal maneira que a sobrevivência depende em grande soma da atenção dos outros que o rodeiam. Mas pouco a pouco vai emergindo um ego que paulatinamente separa e ordena a experiência, evitando os estímulos desagradáveis e acolhendo aqueles que servem ao processo consciente. Pouco a pouco esse ego vai sentindo-se livre e autônomo e busca imagens em seu exterior que ratifiquem a possibilidade de ser cada vez mais livre e mais autônomo. de fato para Jung o ego não é mais que outro complexo entre tantos, cujas imagens básicas se referem sempre a ideias de autonomia, liberdade e racionalidade (Jung, 1994).

O que fez com que em você e em mim se ativasse essa busca de imagens de autonomia e eficácia, foi o arquétipo do herói; o que faz que teu ego e o meu sigam buscando cada dia alguém a quem seguir ou convertermos a nós mesmos em alguém a ser seguido por outros, é ele o arquétipo do herói. Agora, voltemos ao meu paciente. Seu ego nascente encontrou no pai uma primeira imagem heróica, uma imagem acompanhada de duas grandes emoções: o amor e o desejo de honrar a esse pai. Porque toda imagem que nós acolhemos, devo aclarar desde já, cobra força e poder em nós devido a que vem carregada ou a carregamos emocionalmente. Assim funcionam o amor, o ódio, o desprezo e a admiração, por meio de emoções unidas a imagens que nos resultam relevantes devido a que um arquétipo se encontra por baixo organizando essa experiência.

Continuando, meu paciente acolhe em seu ser essa imagem heróica, lhe dói por momentos porque sente que algo seu é castigado e reprimido no processo, mas a imagem é tão poderosa que se transforma em “a imagem” do herói na sua psique. Logo vai começar a ver que em seu entorno essa imagem se repete inúmeras vezes, a vê nos filmes de faroeste, logo nas dos romanos, depois nos companheiros de colégio e, mais tarde quando começa a se ver atraído pelas garotas, descobre que elas buscam mais ou menos uma imagem parecida para namorar. É evidente para ele que essa é a formam típica e mais adaptativa de  se comportar.

Mas esta é a única imagem de herói possível? Por acaso ser mais publicitada pela economia, pelos meios de comunicação e pela politica contemporânea a faz a mais acertada? Não é assim. Se estamos dizendo que as imagens heróicas são as que inspiram o ego em sua necessária busca de autonomia, devemos reconhecer que muitos egos realizaram um caminho válido na história sem necessidade de recalcar na frieza e no distanciamento afetivo. Poetas, literatos, filósofos e artistas, gente comum que conhecemos mansos e tranquilos e ao mesmo tempo construídos como adultos responsáveis e com seus bons momentos de felicidade. Então onde está o equívoco de uma sociedade que massifica em torno de valores tão limitados de heroísmo e masculinidade?

Imagen relacionada
Atlas, Rockefeller Center, New York
Aqui já nos é necessário recorrer ao outro conceito que acompanha o título desta conferência: “O estereótipo”. Se dizemos que o arquétipo é universal no tempo e espaço, agora temos que afirmar que seu oposto radical é o estereótipo. Este não é um órgão psíquico como o arquétipo nem muito menos algo coletivo como ele, é apenas uma imagem localizada em um tempo e um entorno geográfico muito definidos. Ao tratar-se de uma imagem acolhida pela consciência coletiva, ela está, como dizemos da imagem do pai para nosso paciente, carregada afetivamente. Uma emoção a acompanha, uma emoção que todos sentimos quando estamos frente a ela, próximos a ela.

O caso individual nos ajuda a compreender o caso coletivo e vice-versa. Por razoes de seu amor por seu pai, meu paciente começa a aceitar todas as imagens análogas de seu entorno e seu ego se convence de que essas são as melhores e as únicas válidas. Em termos coletivos é assim também, os alemães não só entendiam “cognitivamente” o que dizia Hitler, também o amavam como a um pai e projetavam nele uma grande quantidade de emoções, sobretudo uma: a necessidade de proteção (necessidade que se projeta em todo herói). No meu paciente, como em todos nós, o arquétipo do herói necessitava uma imagem e ele a encontrou no seu pai e em todos os do entorno que se parecessem. Assim também o povo alemão tinha ativado o arquétipo do herói protetor e salvador, encontrando efetivamente uma imagem do lado de fora.

Estas imagens não emergem, entretanto, da noite para o dia. Assim como no meu paciente a imagem heróica foi se construindo com os gestos, as palavras, o tom de voz e a forma de se relacionar do pai com outros e com a natureza, assim mesmo no coletivo a imagem vai emergindo paulatinamente e é aqui onde podemos encontrar os profissionais da imagem, os quais se especializam em transformar a possibilidade simbólica e plurissignificativa do arquétipo em um signo, em uma única via, em um estereótipo. Se trata de assessores da imagem, publicitários e inclusive psiquiatras e psicólogos, que costumam acompanhar a essas pessoas que ao longo do tempo acabam encarnando tal estereótipo. Quanto a isso vale lembrar que Hitler, por exemplo, tinha uma equipe encarregada de assessorar inclusive na forma que deviam ter os desfiles e sonoplastia que os deveriam acompanhar, tudo para conectar a Hitler com os medos e as necessidades mais profundas do povo alemão, mas ainda mais, para conectar a esse coletivo com o trono, o fogo e a ira do antigo deus nórdico Wotan, com o qual se fecha o círculo sobre a psique, invocando inclusive uma imagem mítica coletiva (Jung, 2001).

É muito interessante observar que em meu paciente, muita afetividade foi deslocada da psique para poder imitar o modelo, até o ponto em que a única maneira como sua alma pode fazer que se detenha, que consulte um terapeuta e se pergunte se de verdade a vida é só o que construiu até agora, o único obstáculo ao qual ele se vê obrigado a atender, é a presença do feminino em sua vida, do amor. Isso é assim em muitos mitos e na literatura.

O herói avança sem nenhum tropeço até que aparece a princesa, o fenômeno natural ou a serpente, imagens todas elas do feminino, feriando assim sua aceleração titânica por meio de provas e acertos. Até agora o mecanismo que meu paciente tem utilizado é evitar as relações realmente profundas, mas dessa vez parece ter se apaixonado, é a fatalidade do amor, ainda que eu prefira dizer assim: o amor é como a única força capaz de mobilizar a casca petrificada que o ego constrói, com base nos repetitivos estereótipos.

No coletivo um pode observar como, com grande inteligência, os líderes estereotipados do mundo, esses heróis coletivos, conseguem, com base no conselho de seus assessores o em sua própria inteligência, incluir algumas frases e gestos amorosos em sua vida pública, salvando desta maneira um sentimento tão básico e do qual seus seguidores também necessitam. É dizer, captam não só o medo e a insegurança do povo oferecendo a ele a imagem de um homem forte, um herói protetor contra as ameaças externas e internas (ameaças das quais, diga-se de passagem, também se faz muita publicidade para poder ter um perigo presente e portanto o medo), mas também a de um homem amoroso que carrega crianças, que chora, que ora frente a imagens religiosas, ou seja, um ser terno e bondoso; com isso parecem acalmar-se as necessidades de conexão afetiva reprimidas pelo povo e pelo líder, em vias de conseguir a proteção e segurança desejadas.

Quando o povo alemão despertou do encanamento desta imagem estereotipada, descobriu com terror tudo o que havia apoiado. Alemanha está cheia de monumentos e museus que mostram o horror do holocausto nazista, como querendo manter presente a recordação de tudo aquilo para evitar que voltem a cair naquilo. Segundo afirma Jung, quando um alemão, por amor ao líder, apontou a um vizinho judeu, estava respondendo à ativação em si de um componente psicopático que todos levamos dentro, algo também arquetípico que está disposto em nós ao pior e frente ao qual deveríamos andar com cuidado. Todos podemos afirmar que jamais faríamos algo tão terrível como enviar a nosso vizinho a um campo de concentração, mas quando temos nossos afetos envolvidos em um estereótipo, tudo é possível. Para colocar um exemplo de outro tópico, há uns anos em Bogotá uma adolescente se suicidou porque seus pais não compraram para ela o bilhete para ver seu ídolo Justin Bieber. Assim que vale a pena nos perguntarmos pela quantidade de energia psíquica, de afeto, que nós investimos em algumas figuras coletivas, vale a pena questionar, refletir para não cais presas da força inconsciente das emoções. Já sabemos que a guerra funciona não tanto pelos soldados envolvidos nela, mais ainda, por civis apontando com o dedo a quem uns dias antes eram simplesmente conhecidos.

Mas não sou ingênuo e não pretendo que vocês sejam. Não é fácil se livrar de um estereótipo. A maioria dos alemães custou mais de quinze anos e alguns nunca conseguiram, o neonazimo existe não só em países germânicos e alguns seguem adorando a Adolf Hitler. E não é fácil porque, repito, nossos mais profundos afetos se vem envolvidos e porque a imagem que se oferece tem seu próprio poder devido ao arquétipo por trás dela. Em outras palavras: todos e todas, sem exceção, necessitamos de heróis, os necessitamos desde o íntimo, desde o mais autêntico que somos, inclusive desde a nossa biologia, de nossos instintos, pois todos aprendemos por imitação. Coerentemente com isso, se a cultura, se a consciência coletiva nos oferece só uma imagem que se repete inúmeras vezes, um estereótipo, será essa a imagem que seguiremos irracionalmente, disfarçando-a, isso sim, de racionalidade, pareceria que somos capazes de explicar racionalmente porque gostamos de tal personagem, mas jamais poderemos explicar porque chegamos a tais emoções por ele, ou a atos dos quais poderíamos inclusive nos arrependermos um dia. 

Imagen relacionada
Monumento al poeta Pepe Ledezma, Salamanca
España
Quem sabe romper com um estereótipo necessite muito tempo. Assim como meu paciente terá que passar-se umas quantas horas movendo sua alma por muitas imagens e emoções, para encontrar aquelas que lhe permitam amar sem medo e com fé a essa mulher que escolheu, voltando-se amorosamente ao feminino que também pede um espaço em sua psique, quem sabe também a cultura ocidental ou cada país latino-americano ou cada família terá que aceitar paulatinamente outras formas de heroísmo, menos destrutivas com a natureza do planeta e com a natureza da alma, que é múltipla, variada e diversa. Quem sabe algum dia possamos ter nas grandes praças de nossas cidades a estátua de um poeta ou escritor e não necessariamente a de um militar (ou quem sabe ter outro tipo de militares, mais enfocados na paz do que na guerra). Para isso teremos que mover nossa almas pelas imagens do medo e da insegurança, pondo imagens de confiança e fé em que o destino não é negativo por si mesmo, aceitando a diversidade de imagens dentro e fora de nós.

Gostaria de terminar aludindo a uma imagem em particular, uma que em minha opinião condensa o que temos construído em termos heróicos e, em geral, da masculinidade hegemônica na Colombia e quem sabe em toda América latina. Essas reflexões se encontram desenvolvidas em um livro de minha autoria que, como resultado de um processo de pesquisa, foi publicado pela editora da Instituição Universitária de Envigado (2009). O personagem a quem me refiro não é outro mais que Coronel Aureliano Buendía, pois me parece que Gabriel García Marquez captou, como todo verdadeiro artista, uma imagem realmente coletiva. O Coronel não só responde as características básicas do arquétipo do herói, mas que condena todo o que se converteu em conduta estereotipada, para aqueles que aspiram ser reconhecidos como homens ou como heróis dentro da massa latino-americana. Simplesmente vou enunciar a descrição que faz Gabo do personagem e a desmembrar a seguir as características fundamentais ali vertidas, para deixar a vocês a tarefa de aplicar a reflexão que proponho sobre o estereótipo e deixar abertas as perguntas sobre como nos abrirmos a outras imagens aproveitando os meios individuais e coletivos dos quais dispomos.

“O coronel Aureliano Buendía promoveu trinta e dois levantes armados e os perdeu todos. Teve dezessete filhos varões de dezessete mulheres diferentes, que foram exterminados um após o outro em uma só noite, antes de que o maior completasse trinta e cinco anos. Escapou a quatorze atentados, a setenta e três emboscadas e a um pelotão de fuzilamento. Sobreviveu a uma carga de estricnina que teria bastado para matar a um cavalo. Recusou a Ordem do Mérito que lhe outorgou o presidente da república. Chegou a ser o comandante general das forças revolucionárias, com jurisdição e mando de uma fronteira à outra, e o homem mais temido pelo governo, mas nunca permitiu que lhe tirasse uma fotografia. Declinou à pensão vitalícia que lhe ofereceram depois da guerra e viveu até a velhice dos peixinhos de outro que fabricava em sua oficina em Macondo. Ainda que tenha batalhado sempre à frente de seus homens, a única ferida que recebeu foi feita por ele mesmo depois de assinar a capitulação de Neerlandia que colocou fim a quase vinte anos de guerras civis. Se disparou um tiro de pistola no peito e o projétil sai pelas costas sem ferir a nenhum centro vital. O único que ficou de tudo isso foi uma rua com seu nome em Macondo.” (García Márquez G. 1975 p. 92)

Características básicas do estereótipo:

1.      A impossibilidade de aceitar o fracasso, ou seja, a insistência titânica e destrutiva na conduta aprendida, também a impossibilidade de conter o instinto (nesse caso um instinto territorial) ou o desejo de poder.

“O coronel Aureliano Buendía promoveu trinta e dois levantes armados e os perdeu todos."
2. A reprodução cega que suplanta à criatividade nesse tipo de modelos simbolizada no número de filhos, e no fato de que todos levavam o mesmo nome. Aqui também poderíamos observar a impossibilidade de conter o instinto e uma grande dificuldade para levar em conta o feminino e seus limites, uma imagem que se converte em dolorosa literalidade quando as mulheres se convertem em espólio de guerra ou em simples objeto para demonstrar poder e triunfo sobre o inimigo.

"Teve dezessete filhos varões de dezessete mulheres diferentes, que foram exterminados um após o outro em uma só noite, antes de que o maior completasse trinta e cinco anos."

3. A busca de experiencias de risco que confirmem à própria imagem de poder e descuido do corpo, ambos símbolos de um grande desprezo pelo feminino, ou seja, pela vida e pela natureza das coisas em geral.

"Escapou a quatorze atentados, a setenta e três emboscadas e a um pelotão de fuzilamento. Sobreviveu a uma carga de estricnina que teria bastado para matar a um cavalo."

4. O poder como hegemonia, como auto-satisfação e como forma de impor-se sobre os outros e outras no entorno.

"Chegou a ser o comandante general das forças revolucionárias, com jurisdição e mando de uma fronteira à outra, e o homem mais temido pelo governo"

5. O repúdio a qualquer imagem que o lembre do fracasso, o qual é parte da experiencia normal de viver, mas que para esse estereótipo é uma afronta à identidade assim construída.

"Declinou à pensão vitalícia que lhe ofereceram depois da guerra e viveu até a velhice dos peixinhos de outro que fabricava em sua oficina em Macondo. Ainda que tenha batalhado sempre à frente de seus homens, a única ferida que recebeu foi feita por ele mesmo depois de assinar a capitulação de Neerlandia que colocou fim a quase vinte anos de guerras civis."

6. O desejo de imortalidade que vem desde os heróis gregos e que, em certa medida é positivo pois necessitamos modelos, mas que como tenho sustentado nesta conferência, se torna destrutivo quando se constrói tal imortalidade em detrimento da vida de outros e não do serviço à vida em geral.

"O único que ficou de tudo isso foi uma rua com seu nome em Macondo.”

OBRAS CITADAS:

García Márquez G. (1975). Cien años de soledad. Barcelona: Círculo de lectores.
Henao L. (2007). Ser Hombre: Imágenes arquetípicas de masculinidad en Cien años de soledad. Envigado: Institución Universitaria de Envigado.
Jung C. G. (1994). Los complejos y el inconsciente. Barcelona: Altaya
Jung C. G. (2001). Civilización en transición (O.C. Vol 10) Madrid: Trotta

Jung C. G. (2003). Los arquetipos y lo inconsciente colectivo (O.C. Vol 9/I) Madrid: Trotta


Tradução para o português por Fabio C C E Villar.

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