lunes, 11 de febrero de 2019

Masculinidades: Arquétipos e Estereótipos (Portugués)

 Para ver la versión en castellano haz click aquí

Esta es la versión en portugués de la conferencia. La traducción fue realizada amablemente por el psiquiatra y terapeuta junguiano de Florianópolis (Brasil) Fabio C C E Villar. A él muchas gracias.


"Masculinidades: Arquétipos e Estereótipos.

Por Lisímaco Henao H.
Psicologo U. de A. (Medellìn)
Mg. Psicología Analítica (Barcelona)
Analista Junguiano (SCAJ-IAAP)

O paciente se senta frente a mim e começa a me falar de sua dor: durante três meses tem estado sonhando que seu pai lhe pergunta por que não regressou por ali. No sonho não há precisão sobre o lugar ao que o pai se refere, mas é sempre a mesma queixa: “por que não regressou?”. O sonhador intui que seu pai se refere à terra onde nasceram ele e seus irmãos, essa terra que seu pai trabalhou com tanto afinco quase até a sua morte. Me conta que aquela terra foi dividida entre os irmãos após a morte de seu pai e ele, como quase todos, vendeu o que lhe correspondia devido a não ter tempo nem vocação para manter-la.

Acudiu à terapia levado por este sonho recorrente, porque desperta com tristeza e pensa que seu pai, desde o além, está fazendo uma queixa à qual ele já não pode responder. Começamos a falar de sua relação com seu pai, a quem ele recorda como uma espécie de herói, um ser que lutou contra tudo para sobreviver junto com uma numerosa família. Logo, remontando à sua infância, revive recordações nas quais o pai trata de “torna-lo homem”, incitando-lhe à força física e ao distanciamento afetivo. Esta aprendizagem se tornou dolorosa, pois é castigado o choro e em troca estimulado o auto-maltrato, o levar a si mesmo até o limite, o ser frio frente à tristeza ou converter-se em um ocultador da mesma.

É evidente que meu paciente cumpriu com a expectativa do pai. Se converteu em um militar de carreira exitoso e disciplinado, que começou nos níveis mais baixos e foi subindo por seus próprios méritos, motivos pelos quais exige exatamente o mesmo caráter de seus subalternos. No entanto, algo vem incomodando há muito tempo: um ciúmes excessivo que tem por sua namorada que é acompanhado de fantasias terríveis nas quais ela seduz outros homens no trabalho e na universidade. Em sua fantasia essa mulher não é capaz de manter-se firme frente à sedução de outros homens. Ele a deprecia pois da fantasia passa à realidade, na qual a considera efetivamente uma mulher fraca e sem perspectivas de sucesso.

Em outro momento, discorre sobre suas tarefas profissionais, fala de como sua disciplina se transforma as vezes em rigidez, das dores nas costas e das acusações que asa vezes lhe fazem no trabalho, onde o tratam como a um tirano.

Imagen relacionadaEsta breve lembrança me serve como metáfora para passar a vocês algumas imagens de masculinidade e as emoções que podem acompanhar-las. O termo “arquétipo”, cunhado na psicologia por C. G. Jung (2003) aparece hoje tanto na linguagem popular como na especializada, tanto que alguém poderia afirmar que meu paciente se converteu no arquétipo do Herói: forte, disciplinado, frio e lutador, características que tem sido coroadas com o sucesso profissional. E é certo que esta é a imagem heróica que temos atualmente: “o homem que faz a si mesmo”. Continuamente somos bombardeados com ofertas de seminários e cursos que oferecem as chaves para o sucesso. Se publicam livros com as leis, os segredos e os modelos para alcançar esse sucesso que consiste, basicamente e me desculpo pelo resumo do conceito, em estar no mais alto da pirâmide, ou, pelo menos, mais alto que outros (isso inclui, obviamente, os complexos econômicos tao importantes no ocidente).

Esse modelo, vamos aclarar de uma vez, se oferece a homens e mulheres e seduz a homens e a mulheres por igual, pois estamos falando realmente de algo arquetípico. Um arquétipo é um órgão psíquico universal que permite a qualquer ser humano perceber o mundo, ou seja, é igual para todas as pessoas em todas as épocas e localizações geográficas. O que esse órgão faz é ordenar nossas percepções com base em imagens. Para explicar melhor, tomemos como exemplo o arquétipo do qual me ocupo hoje: O Herói. O mundo que percebemos se nos apresenta, em princípio, caótico, como para qualquer criança, de tal maneira que a sobrevivência depende em grande soma da atenção dos outros que o rodeiam. Mas pouco a pouco vai emergindo um ego que paulatinamente separa e ordena a experiência, evitando os estímulos desagradáveis e acolhendo aqueles que servem ao processo consciente. Pouco a pouco esse ego vai sentindo-se livre e autônomo e busca imagens em seu exterior que ratifiquem a possibilidade de ser cada vez mais livre e mais autônomo. de fato para Jung o ego não é mais que outro complexo entre tantos, cujas imagens básicas se referem sempre a ideias de autonomia, liberdade e racionalidade (Jung, 1994).

O que fez com que em você e em mim se ativasse essa busca de imagens de autonomia e eficácia, foi o arquétipo do herói; o que faz que teu ego e o meu sigam buscando cada dia alguém a quem seguir ou convertermos a nós mesmos em alguém a ser seguido por outros, é ele o arquétipo do herói. Agora, voltemos ao meu paciente. Seu ego nascente encontrou no pai uma primeira imagem heróica, uma imagem acompanhada de duas grandes emoções: o amor e o desejo de honrar a esse pai. Porque toda imagem que nós acolhemos, devo aclarar desde já, cobra força e poder em nós devido a que vem carregada ou a carregamos emocionalmente. Assim funcionam o amor, o ódio, o desprezo e a admiração, por meio de emoções unidas a imagens que nos resultam relevantes devido a que um arquétipo se encontra por baixo organizando essa experiência.

Continuando, meu paciente acolhe em seu ser essa imagem heróica, lhe dói por momentos porque sente que algo seu é castigado e reprimido no processo, mas a imagem é tão poderosa que se transforma em “a imagem” do herói na sua psique. Logo vai começar a ver que em seu entorno essa imagem se repete inúmeras vezes, a vê nos filmes de faroeste, logo nas dos romanos, depois nos companheiros de colégio e, mais tarde quando começa a se ver atraído pelas garotas, descobre que elas buscam mais ou menos uma imagem parecida para namorar. É evidente para ele que essa é a formam típica e mais adaptativa de  se comportar.

Mas esta é a única imagem de herói possível? Por acaso ser mais publicitada pela economia, pelos meios de comunicação e pela politica contemporânea a faz a mais acertada? Não é assim. Se estamos dizendo que as imagens heróicas são as que inspiram o ego em sua necessária busca de autonomia, devemos reconhecer que muitos egos realizaram um caminho válido na história sem necessidade de recalcar na frieza e no distanciamento afetivo. Poetas, literatos, filósofos e artistas, gente comum que conhecemos mansos e tranquilos e ao mesmo tempo construídos como adultos responsáveis e com seus bons momentos de felicidade. Então onde está o equívoco de uma sociedade que massifica em torno de valores tão limitados de heroísmo e masculinidade?

Imagen relacionada
Atlas, Rockefeller Center, New York
Aqui já nos é necessário recorrer ao outro conceito que acompanha o título desta conferência: “O estereótipo”. Se dizemos que o arquétipo é universal no tempo e espaço, agora temos que afirmar que seu oposto radical é o estereótipo. Este não é um órgão psíquico como o arquétipo nem muito menos algo coletivo como ele, é apenas uma imagem localizada em um tempo e um entorno geográfico muito definidos. Ao tratar-se de uma imagem acolhida pela consciência coletiva, ela está, como dizemos da imagem do pai para nosso paciente, carregada afetivamente. Uma emoção a acompanha, uma emoção que todos sentimos quando estamos frente a ela, próximos a ela.

O caso individual nos ajuda a compreender o caso coletivo e vice-versa. Por razoes de seu amor por seu pai, meu paciente começa a aceitar todas as imagens análogas de seu entorno e seu ego se convence de que essas são as melhores e as únicas válidas. Em termos coletivos é assim também, os alemães não só entendiam “cognitivamente” o que dizia Hitler, também o amavam como a um pai e projetavam nele uma grande quantidade de emoções, sobretudo uma: a necessidade de proteção (necessidade que se projeta em todo herói). No meu paciente, como em todos nós, o arquétipo do herói necessitava uma imagem e ele a encontrou no seu pai e em todos os do entorno que se parecessem. Assim também o povo alemão tinha ativado o arquétipo do herói protetor e salvador, encontrando efetivamente uma imagem do lado de fora.

Estas imagens não emergem, entretanto, da noite para o dia. Assim como no meu paciente a imagem heróica foi se construindo com os gestos, as palavras, o tom de voz e a forma de se relacionar do pai com outros e com a natureza, assim mesmo no coletivo a imagem vai emergindo paulatinamente e é aqui onde podemos encontrar os profissionais da imagem, os quais se especializam em transformar a possibilidade simbólica e plurissignificativa do arquétipo em um signo, em uma única via, em um estereótipo. Se trata de assessores da imagem, publicitários e inclusive psiquiatras e psicólogos, que costumam acompanhar a essas pessoas que ao longo do tempo acabam encarnando tal estereótipo. Quanto a isso vale lembrar que Hitler, por exemplo, tinha uma equipe encarregada de assessorar inclusive na forma que deviam ter os desfiles e sonoplastia que os deveriam acompanhar, tudo para conectar a Hitler com os medos e as necessidades mais profundas do povo alemão, mas ainda mais, para conectar a esse coletivo com o trono, o fogo e a ira do antigo deus nórdico Wotan, com o qual se fecha o círculo sobre a psique, invocando inclusive uma imagem mítica coletiva (Jung, 2001).

É muito interessante observar que em meu paciente, muita afetividade foi deslocada da psique para poder imitar o modelo, até o ponto em que a única maneira como sua alma pode fazer que se detenha, que consulte um terapeuta e se pergunte se de verdade a vida é só o que construiu até agora, o único obstáculo ao qual ele se vê obrigado a atender, é a presença do feminino em sua vida, do amor. Isso é assim em muitos mitos e na literatura.

O herói avança sem nenhum tropeço até que aparece a princesa, o fenômeno natural ou a serpente, imagens todas elas do feminino, feriando assim sua aceleração titânica por meio de provas e acertos. Até agora o mecanismo que meu paciente tem utilizado é evitar as relações realmente profundas, mas dessa vez parece ter se apaixonado, é a fatalidade do amor, ainda que eu prefira dizer assim: o amor é como a única força capaz de mobilizar a casca petrificada que o ego constrói, com base nos repetitivos estereótipos.

No coletivo um pode observar como, com grande inteligência, os líderes estereotipados do mundo, esses heróis coletivos, conseguem, com base no conselho de seus assessores o em sua própria inteligência, incluir algumas frases e gestos amorosos em sua vida pública, salvando desta maneira um sentimento tão básico e do qual seus seguidores também necessitam. É dizer, captam não só o medo e a insegurança do povo oferecendo a ele a imagem de um homem forte, um herói protetor contra as ameaças externas e internas (ameaças das quais, diga-se de passagem, também se faz muita publicidade para poder ter um perigo presente e portanto o medo), mas também a de um homem amoroso que carrega crianças, que chora, que ora frente a imagens religiosas, ou seja, um ser terno e bondoso; com isso parecem acalmar-se as necessidades de conexão afetiva reprimidas pelo povo e pelo líder, em vias de conseguir a proteção e segurança desejadas.

Quando o povo alemão despertou do encanamento desta imagem estereotipada, descobriu com terror tudo o que havia apoiado. Alemanha está cheia de monumentos e museus que mostram o horror do holocausto nazista, como querendo manter presente a recordação de tudo aquilo para evitar que voltem a cair naquilo. Segundo afirma Jung, quando um alemão, por amor ao líder, apontou a um vizinho judeu, estava respondendo à ativação em si de um componente psicopático que todos levamos dentro, algo também arquetípico que está disposto em nós ao pior e frente ao qual deveríamos andar com cuidado. Todos podemos afirmar que jamais faríamos algo tão terrível como enviar a nosso vizinho a um campo de concentração, mas quando temos nossos afetos envolvidos em um estereótipo, tudo é possível. Para colocar um exemplo de outro tópico, há uns anos em Bogotá uma adolescente se suicidou porque seus pais não compraram para ela o bilhete para ver seu ídolo Justin Bieber. Assim que vale a pena nos perguntarmos pela quantidade de energia psíquica, de afeto, que nós investimos em algumas figuras coletivas, vale a pena questionar, refletir para não cais presas da força inconsciente das emoções. Já sabemos que a guerra funciona não tanto pelos soldados envolvidos nela, mais ainda, por civis apontando com o dedo a quem uns dias antes eram simplesmente conhecidos.

Mas não sou ingênuo e não pretendo que vocês sejam. Não é fácil se livrar de um estereótipo. A maioria dos alemães custou mais de quinze anos e alguns nunca conseguiram, o neonazimo existe não só em países germânicos e alguns seguem adorando a Adolf Hitler. E não é fácil porque, repito, nossos mais profundos afetos se vem envolvidos e porque a imagem que se oferece tem seu próprio poder devido ao arquétipo por trás dela. Em outras palavras: todos e todas, sem exceção, necessitamos de heróis, os necessitamos desde o íntimo, desde o mais autêntico que somos, inclusive desde a nossa biologia, de nossos instintos, pois todos aprendemos por imitação. Coerentemente com isso, se a cultura, se a consciência coletiva nos oferece só uma imagem que se repete inúmeras vezes, um estereótipo, será essa a imagem que seguiremos irracionalmente, disfarçando-a, isso sim, de racionalidade, pareceria que somos capazes de explicar racionalmente porque gostamos de tal personagem, mas jamais poderemos explicar porque chegamos a tais emoções por ele, ou a atos dos quais poderíamos inclusive nos arrependermos um dia. 

Imagen relacionada
Monumento al poeta Pepe Ledezma, Salamanca
España
Quem sabe romper com um estereótipo necessite muito tempo. Assim como meu paciente terá que passar-se umas quantas horas movendo sua alma por muitas imagens e emoções, para encontrar aquelas que lhe permitam amar sem medo e com fé a essa mulher que escolheu, voltando-se amorosamente ao feminino que também pede um espaço em sua psique, quem sabe também a cultura ocidental ou cada país latino-americano ou cada família terá que aceitar paulatinamente outras formas de heroísmo, menos destrutivas com a natureza do planeta e com a natureza da alma, que é múltipla, variada e diversa. Quem sabe algum dia possamos ter nas grandes praças de nossas cidades a estátua de um poeta ou escritor e não necessariamente a de um militar (ou quem sabe ter outro tipo de militares, mais enfocados na paz do que na guerra). Para isso teremos que mover nossa almas pelas imagens do medo e da insegurança, pondo imagens de confiança e fé em que o destino não é negativo por si mesmo, aceitando a diversidade de imagens dentro e fora de nós.

Gostaria de terminar aludindo a uma imagem em particular, uma que em minha opinião condensa o que temos construído em termos heróicos e, em geral, da masculinidade hegemônica na Colombia e quem sabe em toda América latina. Essas reflexões se encontram desenvolvidas em um livro de minha autoria que, como resultado de um processo de pesquisa, foi publicado pela editora da Instituição Universitária de Envigado (2009). O personagem a quem me refiro não é outro mais que Coronel Aureliano Buendía, pois me parece que Gabriel García Marquez captou, como todo verdadeiro artista, uma imagem realmente coletiva. O Coronel não só responde as características básicas do arquétipo do herói, mas que condena todo o que se converteu em conduta estereotipada, para aqueles que aspiram ser reconhecidos como homens ou como heróis dentro da massa latino-americana. Simplesmente vou enunciar a descrição que faz Gabo do personagem e a desmembrar a seguir as características fundamentais ali vertidas, para deixar a vocês a tarefa de aplicar a reflexão que proponho sobre o estereótipo e deixar abertas as perguntas sobre como nos abrirmos a outras imagens aproveitando os meios individuais e coletivos dos quais dispomos.

“O coronel Aureliano Buendía promoveu trinta e dois levantes armados e os perdeu todos. Teve dezessete filhos varões de dezessete mulheres diferentes, que foram exterminados um após o outro em uma só noite, antes de que o maior completasse trinta e cinco anos. Escapou a quatorze atentados, a setenta e três emboscadas e a um pelotão de fuzilamento. Sobreviveu a uma carga de estricnina que teria bastado para matar a um cavalo. Recusou a Ordem do Mérito que lhe outorgou o presidente da república. Chegou a ser o comandante general das forças revolucionárias, com jurisdição e mando de uma fronteira à outra, e o homem mais temido pelo governo, mas nunca permitiu que lhe tirasse uma fotografia. Declinou à pensão vitalícia que lhe ofereceram depois da guerra e viveu até a velhice dos peixinhos de outro que fabricava em sua oficina em Macondo. Ainda que tenha batalhado sempre à frente de seus homens, a única ferida que recebeu foi feita por ele mesmo depois de assinar a capitulação de Neerlandia que colocou fim a quase vinte anos de guerras civis. Se disparou um tiro de pistola no peito e o projétil sai pelas costas sem ferir a nenhum centro vital. O único que ficou de tudo isso foi uma rua com seu nome em Macondo.” (García Márquez G. 1975 p. 92)

Características básicas do estereótipo:

1.      A impossibilidade de aceitar o fracasso, ou seja, a insistência titânica e destrutiva na conduta aprendida, também a impossibilidade de conter o instinto (nesse caso um instinto territorial) ou o desejo de poder.

“O coronel Aureliano Buendía promoveu trinta e dois levantes armados e os perdeu todos."
2. A reprodução cega que suplanta à criatividade nesse tipo de modelos simbolizada no número de filhos, e no fato de que todos levavam o mesmo nome. Aqui também poderíamos observar a impossibilidade de conter o instinto e uma grande dificuldade para levar em conta o feminino e seus limites, uma imagem que se converte em dolorosa literalidade quando as mulheres se convertem em espólio de guerra ou em simples objeto para demonstrar poder e triunfo sobre o inimigo.

"Teve dezessete filhos varões de dezessete mulheres diferentes, que foram exterminados um após o outro em uma só noite, antes de que o maior completasse trinta e cinco anos."

3. A busca de experiencias de risco que confirmem à própria imagem de poder e descuido do corpo, ambos símbolos de um grande desprezo pelo feminino, ou seja, pela vida e pela natureza das coisas em geral.

"Escapou a quatorze atentados, a setenta e três emboscadas e a um pelotão de fuzilamento. Sobreviveu a uma carga de estricnina que teria bastado para matar a um cavalo."

4. O poder como hegemonia, como auto-satisfação e como forma de impor-se sobre os outros e outras no entorno.

"Chegou a ser o comandante general das forças revolucionárias, com jurisdição e mando de uma fronteira à outra, e o homem mais temido pelo governo"

5. O repúdio a qualquer imagem que o lembre do fracasso, o qual é parte da experiencia normal de viver, mas que para esse estereótipo é uma afronta à identidade assim construída.

"Declinou à pensão vitalícia que lhe ofereceram depois da guerra e viveu até a velhice dos peixinhos de outro que fabricava em sua oficina em Macondo. Ainda que tenha batalhado sempre à frente de seus homens, a única ferida que recebeu foi feita por ele mesmo depois de assinar a capitulação de Neerlandia que colocou fim a quase vinte anos de guerras civis."

6. O desejo de imortalidade que vem desde os heróis gregos e que, em certa medida é positivo pois necessitamos modelos, mas que como tenho sustentado nesta conferência, se torna destrutivo quando se constrói tal imortalidade em detrimento da vida de outros e não do serviço à vida em geral.

"O único que ficou de tudo isso foi uma rua com seu nome em Macondo.”

OBRAS CITADAS:

García Márquez G. (1975). Cien años de soledad. Barcelona: Círculo de lectores.
Henao L. (2007). Ser Hombre: Imágenes arquetípicas de masculinidad en Cien años de soledad. Envigado: Institución Universitaria de Envigado.
Jung C. G. (1994). Los complejos y el inconsciente. Barcelona: Altaya
Jung C. G. (2001). Civilización en transición (O.C. Vol 10) Madrid: Trotta

Jung C. G. (2003). Los arquetipos y lo inconsciente colectivo (O.C. Vol 9/I) Madrid: Trotta


Tradução para o português por Fabio C C E Villar.

jueves, 7 de febrero de 2019

Masculinidades: Arquetipos y Estereotipos


"Masculinidades: Arquetipos y Estereotipos

(Para la traducción en portugués haz click aquí)


Por Lisímaco Henao H.
Psicólogo U. de A. (Medellìn)
Mg. Psicología Analítica (Barcelona)
Analista Junguiano (SCAJ-IAAP)

El paciente se sienta frente a mí y comienza a hablarme de su dolor: durante tres meses ha estado soñando que su padre le pregunta porqué no ha regresado por allí. En el sueño no hay precisión sobre el lugar al que se refiere el padre pero es siempre el mismo reclamo “¿porqué no has regresado?”. El soñante intuye que su padre se refiere a la tierra donde nacieron él y sus hermanos, esa tierra que su padre trabajara con tanto ahínco casi hasta su muerte. Me cuenta que aquella tierra fue dividida entre sus hermanos a la muerte de su padre y él, como casi todos, vendió lo que le correspondió debido a que no tenía tiempo ni vocación para sostenerla.

Ha acudido a terapia llevado por este sueño recurrente, porque despierta con tristeza y piensa que su padre, desde el más allá, le está haciendo un reclamo al que él no puede responder ya. Comenzamos a hablar de su relación con su padre a quien él recuerda como una especie de héroe, un ser que luchó contra todo para sobrevivir junto con una numerosa familia. Luego, remontándose a su infancia, revive recuerdos en los que el padre trata de “volverlo hombre”, incitándole a la fuerza física y al distanciamiento afectivo. Este aprendizaje se torna doloroso pues es castigado el llanto y en cambio estimulado el automaltrato, el llevarse a si mismo hasta el límite, el ser frío frente a la tristeza o convertirse en un ocultador de la misma.

Es evidente que mi paciente ha cumplido con la expectativa del padre. Se ha convertido en un militar de carrera exitoso y disciplinado que comenzó en los niveles más bajos del rango y fue ascendiendo por sus propios méritos, motivos por los cuales exige exactamente el mismo carácter a sus subalternos. Sin embargo algo viene molestándole desde hace mucho: unos celos excesivos hacia su novia que se acompañan de fantasías terribles en las que ella seduce a otros hombres en el trabajo y la universidad. En su fantasía esta mujer no es capaz de mantenerse firme frente a la seducción de otros hombres. Él la desprecia pues de la fantasía pasa a la realidad en que la considera, efectivamente, una mujer débil y sin perspectivas de éxito.

En otro momento discurre sobre su quehacer profesional, habla de cómo su disciplina se transforma a ratos en rigidez, de los dolores de espalda y de la acusación que se le hace a veces en el trabajo, en donde se le trata como a un tirano.
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Este breve recuento me sirve como metáfora para pasar a ustedes algunas imágenes de masculinidad y las emociones que pueden acompañarlas. El término “arquetipo” acuñado en la psicología por C. G. Jung (2003) aparece hoy tanto en el lenguaje corriente como en el especializado, hasta el punto de que alguno podría afirmar que mi paciente se ha convertido en el arquetipo del Héroe: fuerte, disciplinado, frío y luchador, características que han sido coronadas con el éxito profesional. Y es cierto que esta es la imagen heroica que tenemos actualmente: “el hombre que se hace a sí mismo”. Continuamente somos bombardeados con ofertas de seminarios y cursos que ofrecen las claves del éxito. Se publican libros con las leyes, los secretos o los modelos para alcanzar dicho éxito que consiste, básicamente y me disculpo por lo resumido del concepto, en estar en lo más alto de la pirámide o, por lo menos, más alto que otros (esto incluye, por supuesto, los complejos económicos tan importantes en occidente).

Este modelo, aclarémoslo de una vez, se ofrece a hombres y mujeres y seduce a hombres y mujeres por igual, por lo que tal vez estamos hablando realmente de algo arquetípico. Un arquetipo es un órgano psíquico universal que permite a cualquier ser humano percibir el mundo, es decir, es igual en para todas las personas y en todas las épocas y ubicaciones geográficas. Lo que hace este órgano es ordenar nuestras percepciones con base en imágenes. Para explicarlo mejor tomemos como ejemplo el arquetipo del que me ocupo hoy: El Héroe. El mundo que percibimos se nos presenta, en principio, caótico, lo es para cualquier niño o niña, de tal manera que la sobrevivencia depende en grado sumo de la atención de los otros y las otras que están allí cerca. Pero poco a poco va emergiendo un ego que paulatinamente separa y ordena la experiencia, evitando los estímulos desagradables y acogiendo aquellos que sirven al proceso consciente. Poco a poco este ego va sintiéndose libre y autónomo y busca imágenes en su exterior que le ratifiquen la posibilidad de ser cada vez más libre y más autónomo, de hecho para Jung el ego no es más que otro complejo entre muchos, cuyas imágenes básicas se refieren siempre a ideales de autonomías, libertad y racionalidad (Jung, 1994).

Lo que hizo que en ti y en mi, se activara esta búsqueda de imágenes de autonomía y eficacia, fue el arquetipo del héroe; lo que hace que tu ego y el mío sigan buscando cada día alguien a quién seguir o convertirnos nosotros mismos en seres a quienes otros sigan, es el arquetipo del héroe. Ahora bien, volvamos a mi paciente. Su ego naciente encontró en el padre una primera imagen heroica, una imagen acompañada de dos grandes emociones: el amor y el deseo de honrar a ese padre. Porque toda imagen que nosotros acogemos, debo aclararlo desde ya, cobra fuerza y poder en nosotros debido a que viene cargada o la cargamos emocionalmente. Así funcionan el amor, el odio, el desprecio y la admiración, por medio de emociones unidas a imágenes que nos resultan relevantes debido a que un arquetipo les subyace organizando esa experiencia.

Continuando, mi paciente acoge en su ser esta imagen heroica, le duele por momentos porque siente que algo suyo es castigado y reprimido en el proceso, pero la imagen es tan poderosa que se transforma en “la imagen” del héroe en su psique. Luego va a comenzar a ver que en su entorno esta imagen se repite innumerables veces, la ve en las películas de vaqueros, luego en las de romanos, después en los compañeros del colegio y más tarde, cuando comienza a verse atraído por las chicas, descubre que estas buscan más o menos una imagen parecida para emparejarse. Es evidente para él que esta es la forma típica y más adaptativa de comportarse.

¿Pero es esta la única imagen de héroe posible? ¿Acaso el ser la más publicitada por la economía, los medios y la política contemporáneos la hace la más acertada? No es así. Si estamos diciendo que las imágenes heroicas son las que inspiran al ego en su necesaria búsqueda de autonomía, debemos reconocer que muchos egos han realizado un camino válido en la historia sin necesidad de recalcar en la frialdad o el distanciamiento afectivo. Poetas, literatos, filósofos y artistas, gentes del común que conocemos mansos y tranquilos y al mismo tiempo construidos como adultos responsables y con sus buenos momentos de felicidad. Entonces ¿dónde está el equívoco de una sociedad que masifica en torno a valores tan limitados de heroísmo y masculinidad?

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Atlas, Rockefeller Center, New York
Aquí ya nos es necesario recurrir al otro concepto que acompaña el título de esta conferencia: “El estereotipo”. Si dijimos que el arquetipo es universal en tiempo y espacio, ahora tenemos que precisar que su opuesto radical es el estereotipo. Este no es un órgano psíquico como el arquetipo ni mucho menos algo colectivo como él, es apenas una imagen localizada en un tiempo y un entorno geográfico muy definidos. Al tratarse de una imagen acogida por la consciencia colectiva, ella está, como dijimos de la imagen del padre para nuestro paciente, cargada afectivamente. Una emoción la acompaña, una emoción que todos sentimos cuando estamos frente a ella, cerca de ella.

El caso individual nos ayuda a comprender el caso colectivo y viceversa. Por razones amorosas hacia el padre mi paciente comienza a aceptar todas las imágenes análogas de su entorno y su ego se convence de que estas son las mejores y las únicas válidas. En términos colectivos es así también, los alemanes no sólo entendían "cognitivamente" lo que decía Hitler, también le amaban como a un padre y proyectaban en él una gran cantidad de emociones, sobre todo una: la necesidad de protección (necesidad que se proyecta en todo héroe). En mi paciente como en todos nosotros, el arquetipo del héroe necesitaba una imagen y él la encontró en este padre y en todos los del entorno que se le parecían. Así mismo el pueblo alemán, tenía activado el arquetipo del héroe protector y salvador, encontrando efectivamente una imagen afuera.

Estas imágenes no emergen, empero, de la noche a la mañana. Así como en mi paciente la imagen heroica se fue construyendo con los gestos, las palabras, el tono de voz y la forma de relacionarse del padre con otros y con la naturaleza, así mismo en el colectivo la imagen va emergiendo paulatinamente y es aquí donde podemos encontrar a los profesionales de la imagen, los cuales se especializan en transformar la posibilidad simbólica y plurisignificativa del arquetipo en un signo, en una única vía, en un estereotipo. Se trata de asesores de imagen, publicistas e incluso psiquiatras y psicólogos, que suelen acompañar a estas personas que al cabo de un tiempo terminan encarnando dicho estereotipo. En cuanto a esto es útil recordar que Hitler, por ejemplo, tenía un equipo encargado de asesorarlo incluso en la forma que debían tener los desfiles y los sonidos que los debían acompañar, todo ello para conectar a Hitler con los miedos y las necesidades más profundas del pueblo alemán, pero aún más, para conectar a ese colectivo con el trueno, el fuego y la ira del antiguo dios nórdico Wotan, con lo cual se cierra el círculo sobre la psique, invocando incluso una imagen mítica colectiva (Jung, 2001).

Es muy interesante observar que en mi paciente mucha afectividad fue desalojada de la psique para poder imitar el modelo, hasta el punto en que la única manera como su alma puede hacer que se detenga, que consulte a un terapeuta y se pregunte si de verdad la vida es sólo lo que ha construido hasta ahora, el único obstáculo al que él se ve obligado a atender, sea la presencia en su vida de lo femenino, del amor. Esto es así en muchos mitos y en la literatura. El héroe avanza sin ningún tropiezo hasta que aparece la princesa, el fenómeno natural o la serpiente, imágenes todas ellas de lo femenino, frenando así su aceleración titánica por medio de pruebas y acertijos. Hasta ahora el mecanismo que ha utilizado mi paciente es el de evitar las relaciones realmente profundas pero esta vez parece haberse enamorado, es la fatalidad del amor, aunque yo prefiero decirlo así: es el amor como la única fuerza capaz de movilizar el pétreo cascarón que el ego construye, con base en los repetitivos y empecinados estereotipos.

En lo colectivo puede uno observar cómo, con gran inteligencia, los líderes estereotipados del mundo, estos héroes colectivos, logran, con base en los consejos de sus asesores o en su propia inteligencia, incluir algunas frases y gestos amorosos en su vida pública, salvando de esta manera un sentimiento tan básico y del cual sus seguidores también necesitan. Es decir, captan no sólo el miedo y la inseguridad de su pueblo ofreciéndoles la imagen de un hombre fuerte, un héroe protector contra las amenazas externas e internas (amenazas a las que, dicho sea de paso, también se les hace mucha publicidad para poder tener al peligro presente y por lo tanto al miedo), sino también la de un hombre amoroso que carga a los niños, que llora, que ora frente a imágenes religiosas, es decir, un ser tierno y bondadoso; con ello parecen calmarse las necesidades de conexión afectiva reprimidas por el pueblo y por el líder, en aras de conseguir la protección y seguridad anheladas.

Cuando el pueblo alemán despertó del encantamiento de esta imagen estereotipada, descubrió con terror todo lo que había apoyado. Alemania está llena de monumentos y museos que muestran el horror del holocausto nazi, como queriendo mantener presente el recuerdo de todo ello para evitar volver a caer en él. Según afirma Jung, cuando un alemán por amor al líder señaló a su vecino judío, estaba respondiendo a la activación en él de un componente psicopático que todos llevamos dentro, algo también arquetípico que está dispuesto en nosotros a lo peor y frente a lo cual debiéramos andarnos con cuidado. Todos podríamos afirmar que jamás haríamos algo tan terrible como enviar a nuestro vecino a un campo de concentración, pero cuando tenemos nuestros afectos involucrados en un estereotipo todo es posible. Para poner un ejemplo de otro tópico, hace unos años en Bogotá una adolescente se suicidó porque sus padres no le compraron la boleta para ver a su ídolo Justin Bieber. Así que vale la pena preguntarnos por la cantidad de energía psíquica, de afecto, que nosotros invertimos en algunas figuras colectivas, vale la pena cuestionar, reflexionar para no caer presas de la fuerza inconsciente de las emociones. Ya sabemos que la guerra funciona no tanto por los soldados involucrados en ellas, sino aún más, por los civiles señalando con el dedo a quienes unos días antes, eran simplemente conocidos.

Pero no soy ingenuo y no pretendo que ustedes lo sean. No es fácil liberarse de un estereotipo. A la mayoría de los alemanes les costó más de quince años hacerlo y algunos nunca lo lograron, el neonazismo existe no solo en países germánicos y algunos siguen adorando a Adolfo Hitler. Y no es fácil porque, repito, nuestros más profundos afectos se ven involucrados y porque la imagen que se ofrece, tiene su propio poder debido al arquetipo que le subyace. En otras palabras: todos y todas, sin excepción, necesitamos héroes, los necesitamos desde dentro, desde lo más auténtico que somos, incluso desde nuestra biología, desde nuestros instintos, pues todos aprendemos por imitación. Coherentemente con esto, si la cultura, si la consciencia colectiva nos ofrece sólo una imagen que se repite innumerables veces, un estereotipo, será esta la que sigamos irracionalmente, disfrazándola, eso sí, de racionalidad, pareciera que somos capaces de explicar racionalmente porqué nos gusta tal o cual personaje, pero jamás podremos explicar porqué llegamos a tales emociones por él, o a actos de los cuales podríamos incluso arrepentirnos un día.

Imagen relacionada
Monumento al poeta Pepe Ledezma, Salamanca
España
Quizás romper con un estereotipo necesite mucho tiempo. Así como mi paciente tendrá que pasarse unas cuantas horas moviendo su alma por muchas imágenes y emociones, para encontrar aquellas que le permitan amar sin miedo y con fe a esa mujer que ha elegido, volviéndose amorosamente hacia lo femenino que también pide un espacio en su psique, quizás también la cultura occidental o cada país latinoamericano o cada familia, tendrá que aceptar paulatinamente otras formas de heroísmo, menos destructivas con la naturaleza del planeta y con la naturaleza del alma que es múltiple, variada y diversa. Quizás algún día podamos tener en las grandes plazas de nuestras ciudades, la estatua de un poeta o de un literato y no necesariamente la de un militar (o quizás podamos tener otro tipo de militares más enfocados en la paz que en la guerra). Para ello tendremos que mover nuestras almas por las imágenes del miedo y la inseguridad, poniendo imágenes de confianza y fe en que lo distinto no es negativo por si mismo, aceptando la diversidad de imágenes dentro y fuera de nosotros, de nosotras.

Quisiera terminar aludiendo a una imagen en particular, una que en mi opinión condensa lo que hemos construido en términos heroicos y, en general, de la masculinidad hegemónica en Colombia y quizás en todo Latinoamérica. Estas reflexiones se encuentran desarrolladas en un libro de mi autoría que, como resultado de un proceso de investigación, fuera publicado por la editorial de la Institución Universitaria de Envigado (2009). El personaje al que me refiero no es otro que el Coronel Aureliano Buendía, pues me parece que Gabriel García Márquez ha captado, como todo verdadero artista, una imagen realmente colectiva. El Coronel no sólo responde a las características básicas del arquetipo del héroe, sino que condensa todo lo que se ha convertido en conducta estereotipada, para aquellos que aspiran a ser reconocidos como hombres o como héroes dentro de la masa latinoamericana. Simplemente voy a enunciar la descripción que hace Gabo del personaje y a desglosar a continuación las características fundamentales en él vertidas, para dejar a ustedes la tarea de aplicar la reflexión que propongo sobre el estereotipo y dejar abiertas las preguntas sobre cómo abrirnos a otras imágenes aprovechando los medios individuales y colectivos de los que disponemos.

"El coronel Aureliano Buendía promovió treinta y dos levantamientos armados y los perdió todos. Tuvo diecisiete hijos varones de diecisiete mujeres distintas, que fueron exterminados uno tras otro en una sola noche, antes de que el mayor cumpliera treinta y cinco años. Escapó a catorce atentados, a setenta y tres emboscadas y a un pelotón de fusilamiento. Sobrevivió a una carga de estrecticina que habría bastado para matar a un caballo. Rechazó la Orden del Mérito que le otorgó el presidente de la república. Llegó a ser comandante general de las fuerzas revolucionarias, con jurisdicción y mando de una frontera a la otra, y el hombre más temido por el gobierno, pero nunca permitió que le tomaran una fotografía. Declinó la pensión vitalicia que le ofrecieron después de la guerra y vivió hasta la vejez de los pescaditos de oro que fabricaba en su taller en Macondo. Aunque peleó siempre al frente de sus hombres, la única herida que recibió se la produjo él mismo después de firmar la capitulación de Neerlandia que puso fin a casi veinte años de guerras civiles. Se disparó un tiro de pistola en el pecho y el proyectil le salió por la espalda sin lastimar ningún centro vital. Lo único que quedó de todo eso fue una calle con su nombre en Macondo." (García Márquez G. 1975 p. 92)



Características básicas del estereotipo:

1.    La imposibilidad de aceptar el fracaso, es decir, la insistencia titánica y destructiva en la conducta aprendida, también la imposibilidad de contener el instinto (en este caso un instinto territorial) o el deseo de poder.

“El coronel Aureliano Buendía promovió treinta y dos levantamientos armados y los perdió todos”

2.    La reproducción ciega que suplanta a la creatividad en este tipo de modelos simbolizada en el número de hijos, y en el hecho de que todos llevaban el mismo nombre. Aquí también podríamos observar la la imposibilidad de contener el instinto y una gran dificultad para tomar en cuenta a lo femenino y sus límites, una imagen que se convierte en dolorosa literalidad cuando las mujeres se convierten en botín de guerra o en simple objeto para demostrar poder y triunfo sobre el enemigo.

“Tuvo diecisiete hijos varones de diecisiete mujeres distintas, que fueron exterminados uno tras otro en una sola noche, antes de que el mayor cumpliera treinta y cinco años.”

3.    La búsqueda de experiencias de riesgo que confirmen la propia imagen de poder y el descuido del cuerpo, ambos símbolos de un gran desprecio por lo femenino, es decir, por la vida y la naturaleza de las cosas en general.

“Escapó a catorce atentados, a setenta y tres emboscadas y a un pelotón de fusilamiento. Sobrevivió a una carga de estrecticina que habría bastado para matar a un caballo.”

4.    El poder como hegemonía, como autosatisfacción y como forma de imponerse sobre los otros y las otras del medio.

“Llegó a ser comandante general de las fuerzas revolucionarias, con jurisdicción y mando de una frontera a la otra, y el hombre más temido por el gobierno.”

5.    El rechazo a cualquier imagen que le recuerde el fracaso, el cual es subyacente a la experiencia normal de vivir, pero que para este estereotipo es una afrenta a la identidad así construida.

“Declinó la pensión vitalicia que le ofrecieron después de la guerra y vivió hasta la vejez de los pescaditos de oro que fabricaba en su taller en Macondo. Aunque peleó siempre al frente de sus hombres, la única herida que recibió se la produjo él mismo después de firmar la capitulación de Neerlandia que puso fin a casi veinte años de guerras civiles.”

6.    El deseo de inmortalidad que nos llega desde los héroes griegos y que, en cierta medida es positivo pues necesitamos modelos, pero que como he sostenido en esta conferencia, se vuelve destructivo cuando se construye dicha inmortalidad en detrimento de la vida de otros y no en el servicio a la vida en general.

“Lo único que quedó de todo eso fue una calle con su nombre en Macondo.”



OBRAS CITADAS:

García Márquez G. (1975). Cien años de soledad. Barcelona: Círculo de lectores.
Henao L. (2007). Ser Hombre: Imágenes arquetípicas de masculinidad en Cien años de soledad. Envigado: Institución Universitaria de Envigado.
Jung C. G. (1994). Los complejos y el inconsciente. Barcelona: Altaya
Jung C. G. (2001). Civilización en transición (O.C. Vol 10) Madrid: Trotta
Jung C. G. (2003). Los arquetipos y lo inconsciente colectivo (O.C. Vol 9/I) Madrid: Trotta